O Outubro Rosa acabou, e agora começa o Novembro Azul, movimento criado para conscientizar os homens sobre a importância de prevenir o câncer de próstata, o mais comum do sexo masculino. Além disso, é quatro vezes mais frequente que o câncer de mama.
Entretanto, é bom lembrar também que os homens podem desenvolver câncer de mama, embora a prevalência seja de 1%. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), das 14,388 mortes ocorridas em 2013, apenas 181 foram de homens.
O risco de um homem desenvolver um tumor mamário é de 1 em 1.000, enquanto que o risco nas mulheres é de 1 em 8. Porém, segundo um estudo feito nos Estados Unidos, homens com câncer de mama são menos propensos a sobreviver à doença que as mulheres. Isso porque a descoberta do câncer nos homens costuma ser mais tardia, quando o tumor já está grande demais e se espalhou para outras áreas do corpo. Isso pode ser explicado devido ao fato de que as mulheres fazem exames preventivos para rastrear o câncer de mama e os homens não.
Uma pesquisa da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, mostrou que 80% dos homens entrevistados não sabiam que eles podem ter câncer de mama, assim como não tinham ideia de quais sinais e sintomas são característicos da doença, como os nódulos mamários.
O câncer de mama pode atingir os homens pelo simples fato de que eles, assim como as mulheres, também têm tecido mamário, embora em menor quantidade. Até a puberdade, homens e mulheres têm pequenas quantidades de tecido mamário. Quando as meninas chegam à puberdade, o estrogênio causa um aumento substancial dos lóbulos e ductos, assim como do estroma, o que leva ao surgimento dos seios. Já os homens não sofrem a influência do estrogênio, portanto as mamas não apresentam esse desenvolvimento. No entanto, o tecido mamário de um homem ainda contém ductos e células e, como todas as células do corpo, podem se tornar cancerosas.
Embora a maioria dos casos de câncer de mama masculinos começa nos ductos – tumor conhecido como carcinoma ductal – ele também pode se desenvolver nos lóbulos da mama (carcinoma lobular), mas isso representa apenas cerca de 2% de todos os cânceres de mama masculino.
Fatores de Risco
O risco de desenvolver câncer de mama nos homens aumenta com a idade, sendo a faixa etária média para diagnóstico de 68 anos. Além disso, homens com histórico familiar da doença correm mais risco. Um dos fatores de risco mais conhecidos para o câncer de mama entre as mulheres são as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. Os homens que herdam estas mutações têm um risco bem aumentado para ter um tumor nas mamas.
Pesquisas sugerem que homens que têm a síndrome de Klinefelter – uma condição congênita em que um cromossomo X adicional está presente – também estão em maior risco. Outros fatores que aumentam o risco de câncer de mama em mulheres, tais como tabagismo, obesidade, exposição à radiação e alto consumo de álcool, também podem aumentar o risco de câncer de mama masculino.
As mulheres são incentivadas constantemente a fazer o autoexame para detectar alguma modificação nos seios, como vermelhidão, aspecto da pele, nódulos, etc. Os homens devem fazer o mesmo. Os sinais mais comuns de câncer de mama em homens são caroços ou inchaço, ondulações ou rugas da pele, retração do mamilo, secreção mamilar e descamação ou vermelhidão no mamilo ou na pele circundante.
É importante dizer que esses sinais nem sempre indicam câncer de mama. Na verdade, podem ser um indício de uma condição muito comum em homens, chamada de ginecomastia – um aumento benigno do tecido mamário. De qualquer maneira, ao notar qualquer alteração, procure um mastologista ou seu médico clínico.
Recomendações
Os homens com alto risco de desenvolver câncer de mama devem fazer um acompanhamento com um médico mastologista, incluindo aqueles com mutação no gene BRCA. O National Comprehensive Cancer Network, por exemplo, recomenda que os homens com alto risco de câncer de mama façam um exame clínico da mama a cada 6-12 meses, a partir dos 35, e devem considerar fazer uma mamografia a partir dos 40 anos.
O tratamento é muito parecido com aquele feito nas mulheres, podendo envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapia hormonal, etc.
